Atualmente, o exercício físico é mundialmente reconhecido como
meio de promoção da saúde e qualidade de vida, sendo celebrado como uma das
principais estratégias de intervenção não farmacológica e de baixo custo, para
a prevenção de doenças e enfermidades nesta faixa etária.
A manutenção do exercício físico no contexto atual da pandemia do coronavírus
juntamente à restrição de mobilidade e isolamento social é fundamental.
Glicocorticoides, como o cortisol, são elevados durante os períodos de
isolamento e confinamento e podem inibir muitas funções críticas do nosso
sistema imune. A capacidade das células T de se multiplicarem em resposta a
agentes infecciosos é reduzida, assim como a capacidade de certos linfócitos
efetores de reconhecer e agir contra células defeituosas – cancerosas ou
infectadas por vírus por exemplo.
Recentemente, em um trabalho desenvolvido por Richard J. Simpson e
colaboradores, mostrou-se que os astronautas que tinham maior aptidão
cardiorrespiratória antes do voo e resistência aos músculos esqueléticos antes
de uma missão de seis meses na Estação Espacial Internacional eram menos
propensos a reativar o EBV e o VZV durante a missão. Como conclusão do estudo,
os autores descrevem o exercício, além de eficaz para melhora do papel do
sistema imune, uma contramedida aos efeitos negativos do estresse do
confinamento e isolamento.
A OMS recomenda passeios a pé ou de bicicleta, mas sem desrespeitar o
distanciamento físico. O texto ressalta a importância de lavar as mãos com água
e sabão ou utilizar álcool em gel antes de sair, no local externo e assim que
chegar em casa. Porém, a entidade não recomenda a prática de exercícios em caso
de febre, tosse e dificuldade em respirar. Especialistas reiteram a importância
de uma vida ativa e saudável, mas, em meio a uma pandemia, é necessário bom
senso.
Com o surgimento da pandemia da Covid-19, a maneira de viver mudou. O trabalho
de uma grande parte das pessoas passou a ser home office, o distanciamento
social foi necessário e locais como parques e academias foram fechados em
muitos lugares. No entanto, manter-se ativo é fundamental para manter-se
saudável e controlar sintomas como ansiedade.
Abaixo, uma lista feita por especialistas na área de medicina esportiva para
atletas, visando o bem-estar físico e mental, além da manutenção da boa
regulação do sistema imunológico. Em seus atendimentos, oriente conforme as
seguintes recomendações:
§ Manter o sono regular,
idealmente 8 horas por noite;
§ Manter o treinamento,
adaptando para as condições atuais, já que o exercício pode controlar sintomas
de estresse e ansiedade. Há muitos aplicativos parta atividade física em casa
que podem auxiliar no programa de treinamento;
§ Manter uma dieta
equilibrada e evitar a baixa disponibilidade crônica de energia, o que pode
prejudicar o sistema imunológico;
§ Manter-se bem hidratado
e evitar cafeína a noite, para não interferir na qualidade do sono;
§ Apontar para uma alta
ingestão de frutas e vegetais (7-8 porções por dia). Estes contêm polifenóis e
flavonoides, que têm um papel essencial na função imune respiratória e
demonstraram reduzir a incidência de infecções do trato respiratório superior;
§ Atentar aos níveis de
vitamina D, já que sua suplementação pode ser particularmente importante nessa
época do ano para reduzir o risco de infecção do trato respiratório;
§ Os probióticos podem ser
úteis na redução da incidência, gravidade e duração das infecções do trato
respiratório superior;
§ A suplementação de
vitamina C demonstrou ser benéfica na prevenção e tratamento da pneumonia.
Também demonstrou reduzir o risco de resfriado comum em estresse físico extremo
(esquiadores e corredores de maratona) e reduzir a duração do resfriado comum
na população em geral. Recomendamos tomar vitamina C 500 mg diariamente e
aumentar para 1000 mg diariamente se você desenvolver sintomas (tosse
persistente, febre, problemas respiratórios). Pastilhas de zinco também podem
diminuir a duração dos resfriados;
§ Os óleos de peixe contêm
ácidos graxos essenciais e são importantes para manter um sistema imunológico
saudável. Se você não tem peixe oleoso em sua dieta, então 1 g de Ômega 3 (DHA
e EPA) diariamente também pode ser útil;
§ Finalmente, e um dos
pontos mais cruciais também é o mais simples – lave as mãos adequadamente por
20 segundos regularmente e lembre-se de evitar tocar seu rosto.
Para concluir, o exercício regular, trazendo uma
recirculação frequente de células e estimulando sua produção através de
citocinas pró-inflamatórias, em teoria, nos torna mais resistentes a infecções.
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